quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Vale à pena ler

Vale à pena ler o texto “Progressão continuada não é aprovação automática”, do Fernando José de Almeida. É sucinto, mas traz elementos importantes para conseguirmos diferenciarmos a boa progressão continuada da detestável aprovação automática, implantada pelo governo tucano no estado de São Paulo, por exemplo.

Progressão continuada não é aprovação automática
A confusão entre os conceitos prejudica os debates sobre os ciclos de aprendizagem

Fernando José de Almeida
É difícil defender uma ideia quando ela é desconhecida ou mal entendida pelos interlocutores. Sempre que falo em progressão continuada, em vez de sair apoiando essa maneira de organizar o tempo escolar, me vejo na obrigação de, antes de tudo, deixar bem claro sobre o que vou tratar. Há muita confusão, pois esse conceito é imediatamente confundido com "aprovação contínua" ou "aprovação automática", como indica a reportagem Organização em Ciclos Respeita a Diferença, que a revista Nova Escola Gestão Escolar traz na sua edição de dezembro/janeiro. Então vamos aos esclarecimentos.

Aprovação automática quer dizer sem avaliação, sem orientação, sem cobrança, sem algum apoio. Sendo assim, sem nenhum critério, o aluno é empurrado adiante, correndo ele os riscos de não estar preparado para nada e podendo, mais tarde, atribuir à escola - com razão - o abandono a que foi submetido, sem ter nenhum tipo de orientação.

Progressão continuada, ao contrário, é um alargamento do conceito de período escolar, pois prevê, em vez de anos, ciclos. E aí é possível falar em ciclo letivo, com mais do que os 200 dias previsto na lei, e também em ciclo de aprendizagem do aluno - e esse pode ser de dois ou três meses, um semestre, um ou mais anos. Dividir o tempo escolar fugindo do calendário anual tem por objetivo aprofundar a concepção sobre o ensino e a aprendizagem. Sabe-se, comprovadamente, que as crianças têm diferentes habilidades e, por isso, diversas maneiras e ritmos para aprender. Mas todos podem chegar lá. E chegam. Às vezes, alguns meses ou um semestre a mais são suficientes para constatar mudanças no aluno. Em um curto período
 de tempo, ele pode amadurecer, superar um problema familiar ou adquirir mais segurança com a ajuda de um professor - fatores que repercutem profundamente na sua capacidade de aprender.

Reprovar a criança uma, duas ou três vezes e mandá-la ficar com colegas menores causa problemas de adaptação e provoca desinteresse por ela ser obrigada a ver e estudar tudo de novo. Quando adota essa prática, a escola se assemelha a uma indústria automobilística, que devolve à fundição as engrenagens que não estão dentro das normas técnicas. Só que com seres humanos é diferente: não há padrão e, no que diz respeito ao retorno ao início, não se pode dizer que não houve aprendizagem alguma no ano "perdido". O resultado da reprovação anual na rede pública é a expulsão de milhares de jovens da escola, colocando-os no abandono e na marginalidade.

Os sistemas de progressão continuada são a forma mais eficaz e justa de estabelecer os prazos de reprovação para mudança de fase escolar. Na Finlândia, que tem uma realidade bem diferente da nossa, o ciclo básico é de nove anos e só após esse tempo são feitas as provas que indicam quem ficará retido. Na cidade de São Paulo, Paulo Freire (1921-1997), quando secretário de Educação, entre 1989 e 1991, propôs que os ciclos fossem de três anos no Ensino Fundamental e apenas no fim de cada um haveria exames que definiriam se o aluno seria retido ou não. Sistemas desse tipo devem vir acompanhados de um mecanismo que permita a correção dos rumos antes do fim do ano e envolva os professores em planos de orientação dos alunos com dificuldades. Na verdade, é bom que se diga, essas dificuldades, geralmente, não são dos alunos, mas da escola, do currículo (com pouco ou nenhum significado para eles) e dos professores.

A solução para um ensino eficaz não está na repetição dos conteúdos ou na afirmação - pobre - de que os jovens não gostam de estudar. Está na obrigação que a escola tem de oferecer a oportunidade de todos aprenderem.


Fernando José de AlmeidaÉ filósofo, docente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e diretor de Educação da Fundação Padre Anchieta.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/progressao-continuada-nao-aprovacao-automatica-611988.shtml

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Faltam cinco anos para Brasil cumprir meta de escolaridade estabelecida pela Constituição

Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que, se mantido o ritmo dos últimos 17 anos, somente em 2015 o país cumprirá a escolaridade de oito anos, conforme é exigido pela Constituição.

Em 1992, a média de anos de estudos para a população de 15 anos ou mais era 5,2 anos. Em 2009, foi de 7,5 anos. Foram necessários 17 anos para ampliar em 2,3 anos a média de anos de estudo da população. "Considerando-se essa taxa anual de crescimento, faltam, ainda, cerca de cinco anos para se atingir, em média, a escolaridade originalmente prevista na Constituição Federal (ensino fundamental ou 8 anos de estudo)", diz o Comunicado nº 66 do Ipea.

Segundo o Ipea, a baixa escolarização e o elevado número de analfabetos entre adultos e idosos prejudica o desempenho e um dos mais graves problemas é o analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais.

Ao compararmos a taxa brasileira de analfabetismo com outros países
da América do Sul, como Equador, Chile e Argentina vemos que ela é muito alta. Mesmo com a queda constante na proporção de analfabetos na população, o número total de analfabetos tem se mantido em torno de 14 milhões de pessoas.

DesigualdadesO problema da baixa escolaridade chama ainda mais a atenção ao compararmos a população de acordo com distribuição geográfica, a renda e a cor da pele/raça.

A população urbana/metropolitana tem, em média, 8,7 anos de estudo. Uma diferença de 3,9 anos a mais que a população rural, que estuda, em média, 4,8 anos. Ao segmentarmos a população de acordo com a cor da pele/raça, observamos que os negros têm, em média, 1,7 ano de estudo a menos que os brancos. Os brancos estudam, em média, 8,4 anos, enquanto os negros estudam 6,7 anos. A boa notícia, se é que podemos dizer que a notícia é boa, é que a diferença está se reduzindo. Em 1992, a diferença entre a quantidade de anos de estudo entre brancos e negros era de 2,1 anos.

O que chama mais a atenção é a diferença entre as faixas de renda. "Independentemente da categoria selecionada, os mais ricos sempre estão em melhor situação do que os mais pobres", diz o estudo. Há uma diferença de 5,2 anos de escolaridade entre os mais ricos e os mais pobres.

Os dados são do Comunicado do Ipea n° 66: PNAD 2009 – Primeiras Análises: Situação da educação brasileira - avanços e problemas. O quinto da série de análises do Instituto sobre os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE). O Comunicado do Ipea nº 62 trata sobre o mercado de trabalho no Brasil em 2009, o nº 63 fala sobre a evolução da distribuição de renda entre 1995 e 2009, o nº 64 das tendências demográficas do país e o nº 65 sobre o aumento do número de mulheres chefes de família.

Leia também:IBGE: diminui desigualdade racial no acesso à educação

Apenas 5% dos brasileiros entre 25 e 64 anos continuam estudando

Número de brancos no ensino superior ainda é o dobro do de pretos

Mulheres mais escolarizadas têm menos filhos, confirma IBGE

Brasil tem maior taxa de abandono escolar do Mercosul

Somente metade dos adolescentes entre 15 e 17 anos está no ensino médio

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Reflexões sobre o Enem

O vazamento de informações da prova do Enem, pelo segundo ano consecutivo gerou uma enorme confusão que prejudica, principalmente, os alunos.

O governo defende o exame e cogita até a realizá-lo duas vezes por ano. A oposição aproveita-se da situação para criticar a atuação do governo. Mas, até então, nada havia sido falado sobre o Enem em si. Para que mesmo serve o Enem?

Hoje foi postado no site do deputado federal Ivan Valente (Psol), um discurso proferido pelo deputado no plenário da Câmara dos Deputados no qual ele traz diversos pontos que merecem nossa atenção. Vale à pena ler na íntegra.

Ipea analisa dados da PNAD sobre educação

Comunicado n° 66 analisa avanços e desafios da educação com base nos dados de 2009 do IBGE


O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulga nesta quinta-feira (18/11) o Comunicado do Ipea n° 66: PNAD 2009 – Primeiras Análises: Situação da educação brasileira - avanços e problemas.

O texto analisa a evolução da educação no período de 1992 a 2009 e traça um quadro atual da escolarização da população brasileira, tendo como base indicadores da área.

O comunicado apresenta ainda o hiato educacional, que mede a quantidade de anos de estudo necessária para que a meta da educação seja atingida. Também há dados e informações sobre analfabetismo.

A análise busca refletir os avanços e problemas verificados na educação brasileira no período. Os indicadores são analisados com ênfase na situação educacional brasileira, segundo recortes de renda, localização (urbano/rural), região, cor ou raça e sexo.

O comunicado é o quinto da série de análises do Instituto sobre os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE). O Comunicado do Ipea nº 62 trata sobre o mercado de trabalho no Brasil em 2009, o nº 63 fala sobre a evolução da distribuição de renda entre 1995 e 2009, o nº 64 das tendências demográficas do país e o nº 65 sobre o aumento do número de mulheres chefes de família.

Caminhos da Filosofia na Sala de Aula

No dia 27 de novembro acontece em São Paulo o VI Encontro de Escolas e Educadores Caminhos da Filosofia na Sala de Aula. O evento, que será realizado na Uninove – Campus Memorial –, é aberto ao público e as inscrições são gratuitas.

O Prof. Dr. Antônio Joaquim Severino (Uninove) falará sobre “Educação, formação e filosofia”. Na sequência, será a vez da Profa Dra. Patrícia Del Nero Velasco (UFABC) falar sobre a “Importância da educação para a argumentação nas aulas de Filosofia”.

A tarde será reservada para troca de experiências e debates entre os participantes.

Para se inscrever, basta enviar nome, RG, endereço completo, telefone, e-mail, o nome da instituição que representa e a função exercida para o e-mail lorieri@sti.com.br.

Mais informações pelo telefone (11) 3665-9324, com Douglas.
__________________________________________________
__________________________________________________
VI Encontro de Escolas e Educadores Caminhos da Filosofia na Sala de Aula Data: 27/11/2010 – 9h às 17h
Tema: Educação, Formação e Filosofia
Local: Auditório do Prédio A (12º andar) do Campus Memorial da Uninove
Av. Dr. Adolpho Pinto, 109 - Água Branca - São Paulo, SP (próximo à estação Barra Funda do Metrô)
Inscrições gratuitas
Realização: Programa de Pós-Graduação em Educação da Uninove – Mestrado e Doutorado