sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

2014 - Um ano de revelações

          Estamos encerrando mais um ano. 2014 foi o ano da Copa do Mundo no Brasil, das Eleições Gerais neste mesmo País além da divulgação de muitos escândalos de corrupção.
          A Copa do Mundo no Brasil, ao contrário de que muitos imaginavam foi uma festa de grande confraternização entre os povos do mundo. Os brasileiros estavam com receio de que nosso país não desse conta do evento devido à desorganização e falta de infraestrutura de muitas cidades brasileiras. Todavia, a maioria dos turistas que visitaram nosso país por causa do evento Fifa ficaram satisfeitos principalmente com a acolhida e hospitalidade. Como eles sabiam que estavam em uma nação que não é plenamente desenvolvida foram tolerantes com um outro desvio.
          Dentro de campo a Seleção de Futebol que representou o nosso país avançava "a trancos e barrancos" na competição na base da emoção e no espírito da nova "família Scolari". Nesse aspecto, podemos afirmar que isso só não era necessário, pois tratava-se de Copa do Mundo. A Seleção da Alemanha avançava sem nenhum susto no torneio e não era nenhuma revelação, já que era uma seleção tricampeã. O Ufanismo brasileiro juntamente com a arrogância de "pensar" que o Brasil era o país do Futebol  culminou com uma derrota acachapante pelo placar de 7 a 1 para a Alemanha. Assim, os visitantes colocaram o Brasil no mundo do subdesenvolvimento do futebol, uma revelação não tão agradável para quem acreditasse no contrário.
          Logo após a Copa do Mundo, os meses de agosto, setembro e outubro foram marcados pelas eleições gerais mais disputadas desde 1989. A disputa intensa entre os três principais candidatos à Presidência foi marcada por intensos ataques pessoais e políticos mútuos entre eles/as, além do discurso do ódio sendo instaurado de forma perigosa. Nesse aspecto, vale a pena ressaltar um sentimento que não era tão latente no Brasil, a Xenofobia.
          Essa revelação de que muitos brasileiros são xenófobos com pessoas de seu próprio país, não condiz com a hospitalidade com que tratamos os turistas que há muito pouco tempo  nos visitaram e foram tratados com uma cordialidade desprovida de preconceitos e extremamente elogiada pelos estrangeiros que por aqui estiveram durante a Copa do Mundo.
          Segundo o Dicionário Houaiss, Xenofobia é a    "desconfiança, temor ou antipatia por pessoas estranhas ao meio daquele que as ajuíza, ou pelo que é incomum ou vem de fora do país;". A forma como alguns eleitores do Sul e do Sudeste reagiram à votação do Norte e do Nordeste revelou um sentimento xenófobo e preconceituoso entre os Brasileiros. Afirmo que foi preconceituoso porque alguns brasileiros/as do Nordeste e Sudeste se intitulavam mais informadas e cultas que os do Norte e Nordeste e xenófobo porque houve quem levantasse bandeira  pela separação do Norte e Nordeste do restante do País. Essa sandice foi propagada até por políticos da região sudeste o que aflorou debates calorosos nas redes sociais que difundiram de forma ampla essas diferenças entre os brasileiros no modo de ver e analisar a política brasileira.
          Creio que depois da  Operação Lava Jato  deflagrada em março deste ano  pela Polícia Federal ficou evidenciado que nenhuma região do país é mais informada e/ou culta do que outra. Essa revelação da Polícia Federal que desde 2003  vem intensificando as investigações de crimes do colarinho branco  com o aval do já falecido ex- Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos estão aos poucos mudando o país por mais que algumas pessoas mais pessimistas achem que não.
          Outra revelação relevante mais recente foi a suspensão do patrocínio do Banco do Brasil à Seleção Brasileira de Vôlei. Esta última sempre nos orgulhou com suas medalhas de ouro e agora nos deixa desconfiado da forma como tudo isso aconteceu A Análise do Jornalista Juca Kfouri sobre os fatos nos remetem à ideia de que algumas coisas estão começando a mudar ou pelos menos serem reveladas no Brasil. Alguns Jogadores ameçam até parar a superliga após a Controladoria Geral da União comprovar irregularidades na gestão do dinheiro público na Confederação Brasileira de Vôlei.
          Mediante os aspectos abordados, podemos afirmar que 2014 foi sim um ano de revelações, em sua maioria negativas é verdade, mas que tudo isso seja levado em conta para construirmos por meio de gestos concretos em todos os lugares em que estaremos em 2015 um Brasil mais honesto, ético e justo em todas as esferas.
Escrevo e tenho dito!

Prof. Adilson Ferreira dos Santos

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

APEOESP e suas falsas vitórias que são derrotas!



Caros colegas de Profissão,

Hoje, até deixei de comparecer em uma reunião do grupo de pesquisa que participo para participar da Reunião de Representantes da Apeoesp na sub-sede de São Bernardo do Campo.

Compartilho aqui o que expus naquele lugar... No dia 5 de julho de 2013  o Governo do Estado publicou a Lei Complementar 1.207 , a mesma que a Apeoesp anunciou como  grande conquista da categoria . Eis o link da lei  Lei Complementar 1.207, 5 de julho de 2013 . Nesta lei , no artigo 7º está escrito assim:

Artigo 7º - Esta lei complementar entra em vigor na data de sua publicação, ficando revogados o § 2º do artigo 24 da Lei Complementar nº 444, 27 de dezembro de 1985, e os artigos 7º e 8º da Lei Complementar nº 1.094, de 16 de julho de 2009
Palácio dos Bandeirantes, 5 de julho de 2013

O Parágrafo segundo do artigo 24 da Lei Complementar nº 444, 27 de dezembro de 1985 (Estatuto do Magistério) era o que nos garantia o direito de remoção antes do ingresso e estava redigido desde 1985 da seguinte maneira:
Artigo 24 – A remoção dos integrantes da carreira do Magistério processar-se-á por permuta, por concurso de títulos ou por união de cônjuges, na forma que dispuser o regulamento.
§ 1º – Vetado.
§ 2º – O concurso de remoção sempre deverá preceder o de ingresso e de acesso para o provimento dos cargos de carreira do Magistério e somente poderão ser oferecidas em concurso de ingresso e acesso as vagas remanescentes do concurso de remoção. (Esse direito, nós não temos mais, pois foi revogado). Mais uma derrota!

Os artigos 7º e 8º da Lei Complementar 1094 de 26 de julho de 2009 que fora revogados estavam redigidos assim:

Artigo 7º - Os concursos públicos para ingresso em cargos do Quadro do Magistério observarão os requisitos mínimos de titulação estabelecidos no Anexo III a que se refere o artigo 8º da Lei complementar nº 836, de 30 de dezembro de 1997 e serão realizados em três etapas sucessivas, a primeira de provas, a segunda de avaliação de títulos e a terceira constituída por curso específico de formação, sendo a primeira e a terceira etapas eliminatórias e a segunda apenas classificatória.
§ 1º - O curso específico de formação a que alude o “caput” deste artigo será realizado na forma a ser disciplinada em instrução especial contida no edital de cada concurso público e terá carga horária semanal de 20 horas.
§ 2º - Durante o período do curso específico de formação, o candidato fará jus a bolsa de estudo mensal correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor da remuneração inicial do cargo pretendido.
§ 3º - A classificação final do concurso decorrerá do resultado obtido pelo candidato na primeira e segunda etapas e somente poderão prosseguir para a terceira etapa os candidatos que obtiverem classificação final equivalente ao número de vagas oferecidas no respectivo edital e que confirmarem o interesse pelas mesmas, em sessão de escolha de vagas organizada pela Secretaria da Educação.
§ 4º - Serão considerados aprovados no concurso, para fins de nomeação, conforme as vagas escolhidas, os candidatos que concluírem com êxito a terceira etapa, de acordo com o resultado de prova a ser realizada ao término do curso de formação.
Artigo 8º - Nos casos de remoção de que trata o artigo 24 da Lei complementar nº 444, de 27 de dezembro de 1985, o docente titular de cargos que, removido por determinada jornada, não conseguir entrar em exercício por conta de ausência de aulas que a componham, poderá reduzi-la. ( Esse direito também nos foi retirado). Mais uma derrota!

Chamo a atenção para o artigo 8º que era o direito do Professor removido poder declinar sua jornada se ficasse adido por ausência de aulas. Esse direito também nos foi retirado com a Lei Complementar 1.207, de 5 de julho de 2013 , ou seja, mais uma derrota, que a APEOESP insistiu por meio de seu fax urgente Fax Urgente nº 38   que foi uma grande conquista.

Só que na realidade essa Lei Complementar 1207  de 5 de julho de 2013 além de regionalizar um Concurso Estadual retirou o direito dos Professores de se remover antes do ingresso e de declinar a jornada se depois de removido o Professor Efetivo estiver adido em sua nova sede. Uma grande derrota da categoria e não vitória como costuma anunciar a APEOESP juntamente com toda sua diretoria composta pela articulação sindical (Chapa1) e as chapas de Oposição 2 e 4!

E assim segue a saga dos Professores da Rede Estadual com derrotas consecutivas que vira e mexe são anunciadas como Vitória da Categoria pelo Sindicato que os representam!

Escrevo e tenho dito

Professor Adilson Ferreira

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Direito & Literatura - A Subcidadania no Brasil


Direito & Literatura - A Subcidadania no Brasil

A Subcidadania no Brasil é o tema desse Direito & Literatura. Para falar sobre o assunto, Lenio Streck recebe Henriete Karam, professora de letras da UCS, Nelson Camatta Moreira, professor de Direito da FDV, e Eloísa Capovilla, professora de história da Unisinos.



sábado, 23 de agosto de 2014

ATPC reflexivo

Por Christian Longuin
         Compartilhamos aqui o relato do colega Christian Longuin sobre os seus colegas de ATPC (Atividades e Trabalho Pedagógico Coletivo) na Escola Estadual em que ele leciona. Ah se a maioria da Rede Estadual fosse assim...


        ATPC reflexivo
 Por Christian Longuin

          Ontem,  na ATPC meus pares se debruçavam sobre a falência do sistema educacional, os esquemas mecanizantes, os discursos alienantes vindos das instâncias de cima, e ponderavam sobre as causas e possíveis soluções. Trabalho numa escola que é exceção na rede.
          Estou cercado de professores críticos, pensantes, autônomos e com boa formação, então optei por apenas ouvi-los e aprender com suas colocações. Sinto porém que tal debate é debruçar-se sobre o vazio. O poder esta nas mãos da burguesia, a escola é construída por ela e é reprodutora dos discursos dela. 
          O mérito individual, a concorrência, a excelência, a centralização a hierarquização, são valores reproduzidos a todo momento nas escolas. Somente uma escola proletária poderá ser emancipatória para os professores e filhos da classe trabalhadora. 
          O máximo que podemos fazer dentro desse sistema é promover o pensamento critico e a autonomia em cada aluno. Se cada companheiro conseguir isso, já terá deixado um legado indelével na vida de suas turmas.

Christian Longuin

sábado, 16 de agosto de 2014

O Professor Corno

Depois dos últimos acontecimentos decorrentes das decisões da Diretoria da Apeoesp juntamente com sua Presidente e das várias assembleias marcadas e remarcadas e mediante a atual conjuntura publicamos aqui uma reflexão do Professor Professor Reinaldo Melo sobre a situação em que se encontram os Professores da Rede Estadual. O discurso está figurado e elucida de forma satírica em que pé está a Campanha Salarial 2014 dos Professores da Rede Estadual.




O Professor Corno
Por Reinaldo Melo
O professor corno estudou achando que sua profissão era a engrenagem para mudar o país.
O professor corno achou que seu conhecimento faria com que os alunos se tornassem cidadãos ativos e construidores de uma sociedade justa.
O professor corno pensou que a escola era um lugar para embates profundos e cheio de gente séria.
O professor corno se filiou ao sindicato para lutar pelas melhorias salariais e de trabalho.
O professor corno vai à assembleia e não entende por que uma greve que estava certa há quase duas semanas deu com os burros na água.
O professor corno não entende o porquê dos discursos das lideranças que eles sustentam com sua mensalidade interessa aos que lhe massacram na escola.
O professor corno não consegue fazer relação com queda de avião, candidato morto, nova candidata, o cu na mão do PSDB e PT e o desgaste que uma greve agora iria ser para os dois.
O professor corno não entende por que havia a proposta de uma assembleia para depois das eleições.
O professor corno não entende por que a assembleia que foi aprovada para setembro será um ato unificado com outras categorias.
O professor corno não entende por que, então, não houve luta unificada, em Maio, com os professores da prefeitura de SP.
O professor corno volta pra escola e não quer serrar os chifres já gigantescos. Por isso anda quase ajoelhado, para adentrar nos seus espaços de trabalho.
O professor corno parece, apenas parece, que gosta de ser corno, mas na verdade ele não sabe que suas esposas são umas putas.

Reinado Melo