segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mudança na gestão do ensino gera polêmica nas universidades

Neste ano, a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado Federal (CCT) aprovou o projeto de lei que transfere a gestão do ensino superior do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Faltando somente a aprovação da Comissão de Educação e da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania para entrar em vigor, o projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) não é unanimidade entre especialistas em educação e causa polêmica nas universidades.

A justificativa do senador para a criação do projeto de lei é uma tentativa de centrar mais esforços do MEC na promoção de uma educação básica de qualidade. Segundo ele, hoje o ministro e sua equipe são muito voltados a atender demandas das universidades, o que acabaria deixando o nível básico de ensino em segundo plano.

Para Carlos Alexandre Neto, reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), faltou diálogo por parte do senador Buarque. "Em nenhum momento ele conversou com dirigentes das universidades federais para ver nossa opinião", critica. O reitor defende ainda que a proposta prejudica não somente o ensino superior, como também o básico.

"A educação deve ser vista de forma sistêmica, pois o nível superior atua também na qualificação da educação básica. O problema é que o senador entende os dois (a educação básica e superior) como opostos. Acha que, se ocorre investimento em uma, não ocorre na outra. Isso é uma inverdade", afirma, completando que o MEC deve "empobrecer" com a mudança, assim como as universidades.

Professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), Cleyton Gontijo também questiona o projeto. "A responsabilidade do ensino básico é dos municípios. O MEC somente atua de forma complementar", rebate. O também coordenador da graduação em Pedagogia afirma que a medida não será eficaz, já que a Constituição Federal não garante ao ministério autonomia para atuar diretamente na educação básica. "Para que o Ministério da Educação possa ter maior poder de intervenção seria preciso uma reforma constitucional", completa.

Contudo, Contijo reconhece que é preciso definir melhor o papel do MEC na educação fundamental e contar com mais dedicação do ministério nessa área. "Hoje a gente observa pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) que a educação tem melhorado timidamente", lamenta.

Debate válido
Na opinião do professor Célio da Cunha, também da Faculdade de Educação da UnB, o debate é válido. "A ideia do senador Cristovam procede, porque tem um enorme desafio na educação básica. É preciso pensar nas melhores estratégias para superar", diz. O professor ainda conta que Estados Unidos e Canadá são adeptos do sistema proposto. "Esses países possuem departamentos de educação com o mesmo princípio. Em outros países, nem Ministério da Educação tem", explica. "Bem organizado funciona tanto um quanto o outro. O grande desafio é de gestão", completa.

Cunha também acredita que é importante cobrar uma maior atuação de prefeitos e governadores. "Esses atores precisam, de fato, assumir as suas responsabilidades na área de educação. Por isso o debate do senador é saudável, pois acabam surgindo outras questões sobre a educação básica", conclui.

Universidades também ganharão com o projeto, diz senador
A proposta do senador Buarque, porém, não é somente centrada numa maior atenção do MEC à educação básica. Para ele, as universidades também ganhariam com a proposta, já que poderiam se engajar em um programa nacional de inovação e desenvolvimento científico e tecnológico. Em entrevista ao Terra, ele afirmou que, mesmo parecendo paradoxal, certamente as universidades vão acabar colaborando mais com o ensino básico estando no Ministério da Ciência e Tecnologia, uma vez que não mais precisarão disputar com o ensino básico prioridade e recursos dentro de seu próprio ministério.

Em seu site pessoal, o senador conta que uma professora o escreveu preocupada com a mudança porque ela trabalha com humanas e ficou pensando que sua área poderia ser prejudicada. Buarque comenta que a experiência dos últimos anos pode responder à inquietação da professora, referindo-se ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal (Capes), os grandes financiadores de projetos de educadores. "Lá, a área de humanidades é muito respeitada e valorizada. Os professores dessas áreas têm recebido estímulos financeiros, bolsas e recursos", afirma.

Especialista em educação, Hamilton Werneck acredita que a proposta não criará impacto na área de humanas. "As faculdades de humanidades estão esvaziadas por questões de mercado", diz. E, de acordo com ele, as de cunho tecnológico carecem de investimentos e modernização de laboratórios. Por este motivo, Werneck acha o projeto de Buarque inovador, mas inócuo. "O que vai mudar é somente a gestão, na prática tudo fica igual. Dificilmente o MCT consegue fazer algo diferente do que o MEC faz hoje", diz. O reitor da UFRGS concorda. "O Ministério da Ciência e Tecnologia não tem experiência em gestão de ensino, somente de projetos."

Já Antônio Azambuja, professor de Administração na Universidade de Guarulhos (UnG), considera o projeto interessante, uma vez que o Brasil precisa de investimentos tecnológicos. "A área de humanas já está saturada, mas a área de ciências e tecnologia carece de incentivo e inclusive sofre com falta de mão de obra", diz, completando que essa mudança de gestão acabaria gerando mais recursos para pesquisas e projetos universitários tecnológicos. "Um País que possui uma Amazônia inexplorada precisa disso", completa.

Fonte: Terra

União Gaúcha de Estudantes defende mudanças no Ensino Médio

A União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas (UGES) defende a necessidade de alterações no Ensino Médio. A entidade publicou em seu site um documento intitulado: Ensino Médio Politécnico e Educação Profissional Integrada ao Ensino Médio. Para o presidente da UGES, Thalisson Silva, o Ensino Médio de hoje apenas coloca o estudante entre o ensino fundamental e a educação superior.

O texto chama a atenção para a crise de identidade porque passa esta etapa da educação. Não prepara a juventude para o ingresso no ensino superior e tampouco a prepara para seguir uma profissão, diz um dos trechos do documento. Além de exigir mudanças no Ensino Médio, Silva aponta os altos índices de evasão e repetência. Esta é uma realidade nacional, não apenas do Estado, compara.

Secretário da Educação, Jose Clovis de Azevedo considera positivo a posição da entidade estudantil de defender mudanças no ensino médio e estimular o debate sobre o tema. Os estudantes devem ser protagonistas na construção do novo Ensino Médio, afirmou Azevedo.

O texto conclama os estudantes a debaterem a proposta de alteração do Ensino Médio apresentada pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc). É fundamental que os estudantes do nosso Estado se apropriem do debate e formulem sua opinião sobre este tema, afirma o texto, que ainda destaca as altas taxas de abandono escolar que, somadas ao número de jovens que estão fora da escola em idade própria (entre 15 e 17 anos), chegam a 27,7 %.

Analisando as medidas defendidas pela Seduc para qualificar esta etapa da educação básica, o documento conclui que, diante deste quadro, fica claro a urgência de mudanças que resgatem a qualidade e o papel do ensino médio, como a proposta do governo do Estado, do Ensino Médio politécnico.

Sobre a intenção da Seduc de Ensino Médio integrado à Educação Profissional, o documento afirma que a proposta é um importante resgate desta oferta, proibida pelo Decreto 2208/97, e fortalece a aproximação do ensino ao mundo do trabalho.

A crise no paradigma civilizacional

A Metáfora da ponte

Por um primeiro momento, imaginemos que estamos todos numa jornada de saída de um lugar com destino a outro. Estamos, então, atravessando por uma ponte pênsil, daquelas que balançam ao menor movimento. Somos muitos.

Conhecemos muito bem de onde saímos, o lugar, o clima, as formas de vida... Mas temos um total desconhecimento acerca do lugar para onde estamos indo. Olhamos para o início da ponte, de onde partimos, e temos a sensação de que estamos deixando algo conhecido, e olhando para o ponto final da ponte, o nosso ponto de chegada, e nos lembramos de que nada sabemos daquele lugar. Existirão lá monstros? O clima é humano? A vida é baseada nos princípios biológicos que conhecemos? Não sabemos.

Por isso, toma conta de nós um mal estar, um medo, um temor que nos faz refletir. Será que é bom continuar? Parar, não podemos. A ponte balança demais! As crianças choram! Os mais idosos sentam-se, agarram-se às amarras da ponte e negam-se a caminhar mais. Outros negam-se a sentir o mal estar, acreditando que tudo passará, e continuam parados, conversando como se nada estivesse acontecendo. Alguns decidem voltar. Dirigem-se ao ponto de partida. Mas sentem um fenômeno estranho: quanto mais andam em direção ao início da ponte, mais este se distancia, parecendo cada vez mais um ponto longínquo no horizonte.

Todos descobrem, portanto, que não existe retorno. Só a caminhada para frente, para o desconhecido.
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O texto acima é parte do “Texto-Base preparatório para o VI Encontro Nacional do Laicato do Brasil”, que será realizado no Rio de Janeiro, em Junho. Antes disso, o Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo realiza no dia 19 de novembro, um Seminário de Estudo com base no mesmo material. Mesmo se você não for participar de nenhum dos encontros, vale à pena ler o material. Pode contribuir muito com a formação.

Espaço Aberto Literatura: Graciliano Ramos

Em seu perfil no Twitter, o professor Adilson Ferreira indicou o programa Espaço Aberto Literatura, exibido pela GloboNews neste final de semana, sobre Graciliano Ramos. Realmente vale muito à pena ver. São apenas 23 minutos, de muito conhecimento.

Segue o link:
http://g1.globo.com/videos/globo-news/espaco-aberto-literatura/t/todos-os-videos/v/graciliano-ramos-era-inimigo-dos-adjetivos-e-defensor-do-texto-enxuto/1693808/

sábado, 12 de novembro de 2011

Anita Freire fala sobre o PNE (Outubro 2011)

Entrevista exclusiva

Anita Freire, doutora em educação e companheira do saudoso/presente educador Paulo Freire esteve como ouvinte no Seminário sobre o Plano Nacional de Educação (PNE).

Organizado pela Comissão Especial do PNE, na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), no dia 17/10/11, esteve presente o deputado federal e relator do Plano Nacional de Educação (PNE), Ângelo Vanhoni (PT-PR).


Assistam ao vídeo (Clique aqui) feito por Van Ramos, no dia do seminário, com opiniões de Anita.

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