quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Caminho errado?

O texto abaixo é de autoria do Luiz Araújo e foi publicado originalmente em seu blog no dia 3 de agosto. Traz ao debate o oferecimento de bolsas para pais de crianças que não conseguem vagas em creches públicas, com a finalidade de que o dinheiro seja utilizado para o pagamento dos serviços a serem prestados por uma entidade privada. Vale à pena a leitura e o debate.
 


Um dos problemas mais graves na educação nacional é a baixa cobertura no atendimento em creche. Apenas 18,4% das crianças conseguem inclusão em alguma unidade educacional, mesmo que muitas delas sejam precárias e mantidas por entidades comunitárias ou religiosas e subsidiadas pelo Poder Público.

Esta realidade é mais grave nas pequenas cidades, mas existe também nas cidades grandes. E como nestas cidades a sociedade civil e a imprensa são mais ativas, o problema ganha visibilidade e torna-se um problema político da agenda governamental.

A cidade mais rica do país não foge desta regra. Em 2010 tínhamos 170.239 crianças matriculadas em creche na capital de São Paulo, mas apenas 25,1% eram municipais.

Hoje a imprensa noticia algumas informações sobre esta ausência de política pública:

1ª. Que a Câmara Municipal de São Paulo aprovou projeto de lei de autoria do vereador Arselino Tatto (PT), que estabelece uma bolsa de R$ 272,50 para cada criança que esteja na fila de espera por uma vaga em creche;

2ª. Que existem 147 mil crianças esperando uma chance de estudar numa creche pública;

3ª. Que o Prefeito Kassab (PSD) diz que o problema não é falta de recursos para a construção das creches, mas a dificuldade em encontrar terrenos, desapropriar e construir as unidades. O que justificaria sua ideia de trocar terrenos por creches. O primeiro edital deve sair em cerca de dois meses.

O Plano Nacional de Educação que vigorou até dezembro propunha que hoje tivéssemos 50% das crianças de zero a três anos estudando. Esta meta não foi cumprida e a proposta enviada pelo governo para o novo plano repete a mesma meta.Será necessário incluir mais de 3 milhões de crianças no atendimento escolar somente para cumprir esta meta.

Este esforço precisa ser público e conjugado, ou seja, a obrigação é da prefeitura, mas cabe ao Estado e a União participar financeiramente deste esforço.

Construir uma unidade de educação infantil não é barato, mas o mais caro é manter o atendimento. Então, a justificativa do prefeito Kassab está incompleta e tergiversa com o fato notório de que seguidas administrações paulistas renegaram o atendimento em creche ao mundo privado.

Contudo, não me parece um bom caminho o projeto do vereador Arselino Tatto, pois caso sancionado provocará a destinação de recursos públicos para a iniciativa privada, pois repassará recursos públicos para os pais comprarem o serviço aonde ele existe, ou seja, nas escolas comunitárias, filantrópicas e privadas espalhadas pela cidade.

Sou favorável ao veto, mesmo que considere que a motivação do prefeito ao vetá-lo (certamente o fará!) não será tão nobre, pois a sua estratégia de troca de terrenos vai no mesmo caminho errado.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Entrelinhas de uma “reportagem”

O jornal Folha de S. Paulo de 8/8/2011 trouxe dois textos relacionados à educação que merecem ser lidos. Um deles é o texto Bolsa X Aprendizagem, sobre um estudo da FGV que relaciona o recebimento de recursos do Bolsa Família com o aprendizado de jovens que fazem parte de famílias beneficiadas pelo programa na cidade de São Paulo.

Apesar de o jornal enfocar um suposto dado ruim levantado pela pesquisa (os jovens de famílias beneficiadas têm desempenho igual ou inferior ao de outros de mesmo perfil sócio-econômico), quem lê o texto com cuidado pode entender nas entrelinhas o que o jornal não mostrou (ou escondeu, como preferirem). Para quem não conseguir entender, segue abaixo algumas observações de um colega de profissão dos autores do texto da Folha.

  1. Segundo o texto, é feita uma comparação entre o aprendizado entre jovens. Mas, em nenhum momento se observa se o desempenho dos jovens beneficiados, individualmente, melhorou depois que sua família passou a receber o benefício. Quem entende um só um pouquinho de Pedagogia e não quer apenas fazer um levantamento estatístico saberia que a avaliação deveria levar em conta o desenvolvimento cognitivo do aluno. A comparação com outros alunos deveria servir apenas para saber qual o nível médio de desenvolvimento na mesma série/ano, faixa etária do grupo social ao qual o jovem pertence;

  2. Outro ponto bastante importante, mas ao qual a reportagem/edição não deu tanta importância é com relação ao fato de que o Bolsa Família reduz a evasão escolar. Mesmo que o Bolsa Família não melhore a qualidade da educação, ele contribui para segurar o jovem na escola, o que já é uma grande coisa, como se pode notar no texto O paradoxo do ensino médio, publicado no mesmo dia e no mesmo jornal (leia comentários sobre esse texto);

  3. A terceira parte do texto vai para o lugar comum: “É preciso melhorar a qualidade da educação”. Isso não é novidade, todo mundo concorda com isso. Não é preciso realizar novas pesquisas para mostrar isso. Além do mais, os dados levantados pela pesquisa são questionáveis (leia texto Os efeitos do Bolsa Família na educação).

O paradoxo do ensino médio


O jornal Folha de S. Paulo publicou hoje o texto com o título desta postagem: O paradoxo do ensino médio.

O autor, Fernando Veloso, foi muito feliz em suas colocações. Ele explica que, apesar da baixa qualidade, o ensino médio pode representar ganhos significativos para os jovens que o concluem. Se não em conhecimento e desenvolvimento cognitivo, pelo menos na possibilidade de verem a média salarial aumentar em mais de 30% em relação ao salário daqueles que cursaram apenas o ensino fundamental. Mas, segundo o autor, o paradoxo é que, mesmo com esse retorno monetário, ainda são baixas as taxas de matrícula e de conclusão no ensino médio.

Veloso aponta duas possibilidades pelo desinteresse dos jovens pelo ensino médio: 1. O aumento percentual de salário para o grupo específico de jovens que preferem não completar o ensino médio não seria tão grande quanto a média percentual de retorno monetário apresentada; 2. Os jovens desconhecem a informação do possível aumento percentual de salário para os concluintes do ensino médio.

Vale ressaltar que o texto se vale de reportagens publicadas no mesmo jornal (Folha de S. Paulo) que afirmam que 40% dos jovens evadem o ensino médio não por ter que trabalhar para ajudar a família, como muitos pensavam, mas por falta de interesse.

Eu aponto um terceiro possível motivo. O ensino médio está tão ruim e tão desvinculado da vida dos jovens que, mesmo sabendo do retorno financeiro, os jovens não conseguem permanecer na escola e evadem. Desacreditam que tamanha falta de nexo possa levar as empresas, mesmo conhecedoras da baixa qualidade da educação, concordarem em conceder aumentos salariais apenas por um papel chamado diploma. Pensando dessa forma, digo: Realmente o diploma não deveria valer tanto. O que deveria ter valor é a boa educação, a boa estrutura, o bom conteúdo, a boa aula... não uma folha de papel.

Aliás, para não dizer que estou comparando fontes diferentes, o mesmo jornal (Folha de S. Paulo), publicou no dia 20 de março de 2011, a reportagem Escolarizado é maioria entre desocupados na qual informa que faltam vagas para jovens que concluíram o ensino médio e sobram para aqueles que têm somente o fundamental, justamente porque as vagas disponíveis são para cargos com menores salários. Caramba! Que paradoxo! Se eu concluo o ensino médio não tenho vaga de trabalho, se não concluo ganho um salário-de-fome... Vladimir Lênin diria: Que fazer?* Mas, o jornal aponta que Mudança exige que trabalhador de nível médio ajuste expectativa, que País precisa aumentar formação técnica e que Falta de experiência afeta pessoas de baixa renda.

"O pulso ainda pulsa" e o paradoxo permanece.

*Livro no qual Lênin aponta caminhos e ações a serem seguidos para se efetivar e se manter a revolução operária, para dar uma explicação básica.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Apoio à implantação de Universidade Pública na zona Noroeste da capital paulista

Moro na zona Sudeste capital paulista e não na Noroeste. Mas, apoio o movimento que luta pela implantação de uma universidade pública naquela região. Mais do que o desenvolvimento para a zona Noroeste, a implantação de uma universidade naquela área trará consigo o desenvolvimento para toda a cidade de São Paulo e, consequentemente, para o país.

Nas imediações de uma universidade se desenvolvem também o serviço e o comércio. Há ainda melhorias de infraestrutura (água e esgoto, luz, pavimentação, transporte, segurança pública...). Isso contribuirá, e muito, com uma região tão carente de investimentos como é a zona Noroeste.

A região na qual a universidade pública é implantada também é beneficiada na medida em que os alunos exercerem a extensão universitária com a comunidade. Um dos três pés que toda universidade deveria ter (Ensino, Pesquisa e Extensão).

Não desconsidero a educação recebida na vida (na universidade da vida), mas a universidade tem uma função específica, que é dar formação de nível superior à população. Os trabalhadores que já colocam em prática aquilo que aprendem na vida podem, com o ensino superior, relacionar seus conhecimentos práticos com a teoria e ciência. Isso os faz profissionais ainda melhores, seres humanos ainda melhores. O país todo sai ganhando com isso.

A educação sai ganhando, pois qualifica os profissionais que contribuem com o aprendizado das crianças, adolescentes e jovens.

É por isso e muito mais que apoio o movimento e peço também seu apoio. Leia a mensagem abaixo, acesse o link e exerça sua cidadania assinando o abaixo-assinado eletrônico. Faça mais, divulgue o abaixo assinado para seus amigos.

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Amigas e amigos,

Você já deve ter recebido alguma mensagem minha divulgando atividades do Movimento Pró-Universidade na Zona Noroeste. Pois bem, a luta continua e agora precisamos do seu apoio para ocupar o espaço virtual em apoio a essa causa.

Estamos colhendo assinaturas em um abaixo-assinado eletrônico com o maior número possível de apoiadores para entregarmos ao ministro da Educação, Fernando Haddad, e demais autoridades do ensino superior de São Paulo.

Para participar é muito simples. Basta acessar o link abaixo, preencher os dados solicitados e depois confirmar a assinatura pelo seu e-mail.

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N12801

Fique tranquilo. Ninguém consegue acessar o número do seu RG.

Se possível, além de assinar, ajude-nos mais um pouquinho encaminhando o link e essa explicação para seus contatos.

Mais informações sobre o movimento são encontradas no blog www.prouniversidadezonanoroeste.blogspot.com.

Abço e beijo,
Marcos Manoel

Plano plurianual de SP reforça ensino básico

Ainda não tive como analisar e o próprio governo de São Paulo, em nota, diz que a versão divulgada é preliminar e as conclusões podem ser precipitadas. Mas, parece que, finalmente, os tucanos vão fazer alguma coisa boa para a educação. Leiam abaixo e tirem suas conclusões.
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Metas para o período 2012-2015 incluem ampliação do ensino médio técnico, reforma de sistema de avaliação e apoio a escolas vulneráveis


Nos próximos quatro anos, o governo estadual pretende reforçar o currículo da educação básica, ampliar o ensino médio técnico, fazer um projeto para 1.208 escolas de maior vulnerabilidade educacional e repensar o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). Também há iniciativas para melhorar políticas de educação especial e de jovens e adultos.

As informações constam no Plano Plurianual 2012-2015, ao qual a reportagem do Estado teve acesso. O documento reúne investimentos e metas que cada órgão do governo deve fazer até o mandato seguinte. O projeto, que pode sofrer alterações, será enviado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) a Assembleia Legislativa neste mês.

As metas da Secretaria Estadual de Educação para o período se dividem em cinco eixos: valorização dos profissionais da educação; gestão do currículo; gestão administrativa; infraestrutura e políticas publicas.

Para reforçar o currículo, a pasta pretende, por exemplo, manter programas como o Ler e Escrever. Tambem deve ocorrer a articulação das dimensões trabalho, ciência, cultura e tecnologia no currículo do ensino médio, prevista por uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE). Há o objetivo também de promover concursos públicos periódicos, em que os docentes aprovados teriam cursos de iniciação ao currículo.

Ainda nessa frente, o governo busca estruturar o tempo integral e quer a integração e o apoio das universidades para diversas ações, como a formação dos professores e a intervenção nas escolas com os piores índices de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp).

Em relação ao Saresp, o PPA prevê a criação de um banco de itens calibrados; a revisão das matrizes de referencia de todas as disciplinas e propõe que a pasta pense em aumentar a periodicidade da prova, que é anual.

Algumas metas do novo PPA já foram anunciadas pelo titular da pasta, Herman Voorwald, nos primeiros meses de governo, como a revisão da política salarial e o plano de carreira do magistério; reforma estrutural da pasta; revisão da valorização pelo mérito; reorganização da progressão continuada e ampliação do ensino médio técnico.

Em nota, o governo afirma que o PPA 2012-2015 esta “em elaboração” e que “a divulgação de qualquer versão preliminar obtida em sistemas internos da administração é precipitada, certamente incompleta e pode levar a conclusões equivocadas”. /

ATÉ 2015

Idesp
O governo que elevar o Idesp do ciclo 1 do ensino fundamental para 4,39; do ciclo 2, para 2,83; e do médio, para 2

● Escolas vulneráveis
Valorizar o quadro pedagógico e recuperar a infraestrutura das 1.208 escolas – as “escolas prioritárias” – de maior vulnerabilidade educacional

● Tecnologia
Padronizar 100% das escolas ao modelo tecnológico da secretaria

● Rede física
Reduzir de 6% para 2% o déficit de salas de aula



Fonte:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110802/not_imp752985,0.php
http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2011/08/02/A16.pdf